Alice
por entre torres de TV
passeio em teu corpo
por entre avenidas e telhados
edifícios e sobrados
nos cinco sentidos dos teus poros
em outros sentidos dos teus pelos
ouço teu som em meus ouvidos
e tudo mais que ainda não disse
a tua voz entre paredes
o sonho acordado na rede
numa tarde de Imperatriz
na pétala da tua flor
escrevi teu nome - Alice
e teu sobrenome - Diniz
sábado, 11 de fevereiro de 2023
Alice
caderno de viagem 3
caderno de viagem 3
meu barco
segue levemente a correnteza
viagem tatuada de palavras
cravadas na película da memória
a infância o lugar da metáfora
no pasto da fazenda meu cavalo
manga dentada na pele do quintal
pássaros pesca peixe
no meu corpo em carnaval
meus dentes de significâncias
na carne do amor que me sobrou
quando tudo ainda era inocência
no curral.
2016
um ponto de interrogação
grafitado no muro da história
procuro o objeto do desejo
no obscuro largo do machado
na república do catete não a glória
no atalho faço o meu caminho
no sentido que der na telha da batalha
não importa qual a trilha qual a tralha
o trilho corto sempre em desalinho
com os gumes da afiada carNAvalha
caderno de viagem 2
caderno de viagem 2
sempre pensei o inferno
fosse uma ferida aberta
no meu olho esquerdo
a boca do diabo e o seu escarro
agora olho e vejo
que não existe inferno além da vida
inferno é muito mais que uma ferida
na estação da morte em Puerto Cavajarro
caderno de viagem
caderno de viagem
nesse Mato Grosso a dentro
invento a rota que me leve
a rota que me traga
mantenho a praga longe da retina
e a íris da menina trago
pra iluminar meu Pantanal.
jura secreta 13
Jura Secreta 13
o tecido do amor já
esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas na carne crua d teu corpo
amanheço alfabetos grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de cactos flor de lótus flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst em tudo mais que me amasse
ardendo em nós flechas de fogo se existisse
salgado mar pulsando em nós
e olga risse por onde quer que eu te cantasse
ou amavisse
Artur Gomes
Juras Secretas
Editora Penalux
– 2018
jura secreta 55
jura secreta 55
para Ana Gusmão
1
Xangô é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço
faz do meu colo teus braços
Oxossi é carne da mata
Yansã é fogo vento tempestade
Yemanjá água do mar
Oxum é água doce
Oxalá em ti me trouxe
te canto como se fosse u
m novo deus em liberdade
2
sou teu leão de fogo
todo jogo que me propor eu topo
beber teu copo comer da tua comida
encarar de frente a janela de entrada
e se for preciso a porta de saída
Artur Gomes
Juras Secretas
Editora Penalux
– 2018
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
quantas eras quantas anas
faroeste lamparão
para torquato neto – in memória
“agora não se fala mais
agora não se fala nada”
quando saí de casa
ia dar um tiro na cara do delegado
mas estava desarmado
estão me colocando em histórias
dos tempos do não sei onde
como se eu durando kid
comesse a filha do conde
nunca comi amarela
em cinema mexicano
muito menos a ruiva
do faroeste americano
disseram que eu tive caso de amor
que se tornou pernambucano
quando encontrei o poeta
no trailer do Ricardinho
foi me falando de mansinho
como se trampa uma batalha
pra não cair na armadilha
da grana palavra cilada
agora não se fala mais
agora não se fala nada
Artur Gomes Fulinaíma
www.arturkabrunco.blogspot.com
quantas
eras quantas anas
estive em muitos lugares algumas páginas de livros jornais
paredes e muros de cidades que nem mesmo conhecia. Me lembrava agora de um poema do livro BrazilLírica
Pereira: A Traição das Metáforas e da minha passagem por Santo André entre 1993
e 1997.
Lá conheci um músico mineiro de nome Alexandro Silva, mas
que gostava de ser chamado de Naiman. Foram longos anos de parcerias musicais
que, algumas, estão gravadas no CD
Fulinaíma Sax Blues Poesia, lançado em 2002. Em 1996, numa viagem que fizemos
em um fusca para Campinas, onde eu fui dirigir uma Oficina de Criação de Artifícios
no SESC, que me veio pela primeira vez a palavra Fulinaíma, talvez soprada por
alguma divindade mística, que nem mesmo Freud explica.
Artur
Gomes Fulinaíma
https://uilconpereira.blogspot.com/
Poétttica
Imburi – essa palavra estranha
só existe em são francisco
e me arrisco
a pensar que seja engano
o biscoito de polvilho
farinha branca no trilho
morreu mais um – menos nada
a tapioca na telha
e o sol sumiu na estrada
Artur Gomes Fulinaíma
fosse quântico esse dia
calmo claro intenso inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria
mesmo que em meio a tarde
TROVOADAS tempestades
insanidades guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria
20 horas
20 noites
20 anos
20 dias
até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria
Artur Gomes
www.secretasjuras.blogspot.com
Bolero Blue
beber
desse conhac em tua boca
para matar a febre
nas entranhas entredentes
indecente
é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é
que a fome desse beijo
furta qualquer palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai
Artur Gomes
terça-feira, 30 de agosto de 2022
Drummundana Itabirina
Para Rúbia Querubim
tudo enquanto verso
tudo enquanto rima
a pele rara da menina
lança perfume parafina
no carnaval lança confete
perfume do bom é serpentina
Artur Gomes Fulinaíma
https://braziliricapereira.blogspot.com/
segunda-feira, 29 de agosto de 2022
fulinaimagem
FULINAIMAGEM
Campos: 184 Anos
:
Onde estão os Goytacazes?
BraziLírica Pereira revisitada
Leminki
Ando
só olho ana à vera
faça outono ou primavera
quantas eras quantas anas
em carnaval meu olho disse:
ana à vera vera ana
ana clara claralisse
vejo ana lendo eunice
quando li eu vi luana
e
ana ali
só vi liana
ana verso
analice
um
lance de dados
doze e quarenta
e seis
mallarmè
na hora incerta
dormindo invisível segunda
semana de dedos nas bocas
sinal inviável na quarta
dedo de deus numa terça
jogando dados na sexta
macabea
vozifera
lady gumes a diretora geral do presídio federal de
brazilírica, impressionada com a decisão pungente das metáforas em produzir
libertinagens, traçou um plano para que as meninas pudessem vez em quando
sobrevoar os céus do parador em grande falo gigante capricónio tropical.
macabea, a ofendida tentou de tudo: forjou mentiras,
corrompeu guardas, comprou juízes, cooptou alunos, advogados de deus e do
diabo, para que o vôo libertino das metáforas fosse exterminado.
"não estou aqui para que pintores sem a mínica
competência pictórica tentem lambuzar com qualquer tinta da porra a minha
estrela que não sobe". voziferou Macabea.
mas lady gumes, decidida, prosseguiu afinado a faca de dois
gumes e, no momento exato final e derradeiro, serrou as grades de ferro que
amarravam as portas do corredor central. assim feito, as metáfroas sobrevoaram
com o zepelin rasante, levando nas asas o seu másculo músculo aninam, e as
metáforas se abriram flor de lotus tropicalha como filhas do chico da
mangueira.
murilínDia
por cima dos pianos
na madrugada devorando
amoras.
macabea invoca nossa
senhora das derrotas
o poeta flama inverso
macabea chora.
experimental barroco o
poeta sobrevoa
palácios e urubus.
macabea tenta
mas não consegue ser
pagu. para enfrentar o desvario.
o poeta está nu cio.
macabea corre o poeta experimental
passeia sua cueca
monossilábica
o poeta é phoda.
macabea pede:
o menino faz que não
entende.
macabea implora:
e o poeta põe na
metáfora do cu.
B
no
coração dos boatos
isso aqui não é a hora da estrela,
minha mãe não é alice
que apesar de freira, de hábito só tinha o vício
de me prender pro entre o crucifixo
colocado em suas
pernas.
macabea vivia falando sozinha
pelos corredora federais da outra iquisição.
conseguia vez em quando reunir alguns habitantes mal
informados sobre a inssurreição
das artes aromáticas
e passava o tempo querendo mostrar
seus dotes na culinária nua e crua.
seviciadas pelos estivadores daquele cais do porto
tentou arrancar o sexo com as unhas
e enlouqueceu uivando como loba amarrada à santa cruz da
goiabeira.
pessoas que me comovem são
aquelas que vivem ou viveram com os seus fios elétricos ligados cuspindo seus
relâmpagos suas trovoadas sobre as nossas tempestades. Sou fanático sim por
blues samba e reggae. faço as minhas escolhas independente do meu coração partido
e sigo vivo com os Dentes Cravados na Memória para nunca jamais esquecê-las. pessoas
que me comovem rasgam o peito e deixam sangrar poesia.
Poética
100
desconstruir os objetivos fascistas
: eis a questão
missão diária de cada um de nós
poetas
quando sabemos que a linha torta
é muito mais
que um poema em linha reta
Poesia:
Fulinamgem
Linguagem:
toda viagem
Quando
Zeus me
apresentou o raio conheci um pássaro azul que me guarda na varanda
tragicomédia
brasileira I
a boca salta pela língua
vísceras de peixes nos varais
meu corpo parede sem reboco
anjo barroco em trapos ancestrais
a casa de cimento pai à pique
roubaram da criança
o piquenique
no país que já foi meu
hoje não mais
Mário Faustino re-visitado
experiência: vida/viagem
poesia toda linguagem
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