su/real
no pontal do atalaia
penso o mar
que ainda tenho
duas coxas brancas
peixe espada
em teu aquário
espuma e sal beijando areia
su/realismo
é minha língua
em teu ouvido
lamber teu corpo despido
neste mar que me incendeia
Artur Gomes
no pontal do atalaia
penso o mar
que ainda tenho
duas coxas brancas
peixe espada
em teu aquário
espuma e sal beijando areia
su/realismo
é minha língua
em teu ouvido
lamber teu corpo despido
neste mar que me incendeia
Artur Gomes
fosse Alice essa menina
brincando à flor da pele
com a menina dos meus olhos
seria eu um mar de abrolhos
pra molhar esses dois olhos
que me olham sem me ver
Federico Baudelaire
Hoje às 20h
Geleia Geral
Rádio Caiana
Gravamos ontem com Paulo André Netto Barbosa o primeiro Geleia Geral com participação especialíssima da minha querida amiga parceira Marcella Roza cantando à capela Vapor Barato (Jards Macalé/Wally Salomão).
Além de uma seleta musical com meus parceiros Paulo Celso Ciranda Reubes Pess Otávio Cabral Naiman e Luiz Ribeiro e duas faixas com poesia e som instrumental de Fil Buc fluiu ainda um breve bate papo focado na minha trajetória desses 50 anos de poesia. Esse programa de estreia vai ao Ar hoje às 20h.
a vida não basta
se me bastasse seria outra
clarice quem sabe
beatriz que fosse
fruta que gosto de comer
antropofagia canibal
pronta para o bacanal
filha que sou deste país
de fevereiro
onde todo ano é carnaval
e a vida do meu pai
se foi em sangue
uma bala no estômago
e uma manchete de jornal
Federika Lispector
![]() |
Novo e-Book do poeta Artur Gomes já está na fita, clica baixa
gratuitamente e lê:
https://jidduksonline.com.br/ornitorrincobala-arturgomes.../
cacomanga
na roça desde cedo comecei a escavar palavras e
separar uma das outras de acordo com o seu significado dar farelo de milho para
os porcos e olhadura de cana para o gado aprendi que no terreiro não dependo de
mercado e para que urbanidade se a cidade não tem paz com a enxada capinei a
liberdade e descobri que ditadura é uma palavra que não cabe nunca mais
Artur Gomes
|
Pátria A(r
)mada Desconcertos Editora
– 2022 https://arturgumesfulinaima.blogspot.com/
|
Novo e-Books, esse eu fiz para o Artur Gomes, o
poeta mais escrachado da geração 1970!
Acompanho a trajetória desse poeta a pelo menos 30
anos. Fizemos um e-Book arqueológico, o leitor vai garimpar seu vasto mundo na
internet... http://bit.ly/PoemasParaTodasAsHoras
Monocultura não faz bem para o solo e nem para cabeça da
gente ! Viva a Diversidade !! Se ligue em www.radiopopgoiaba.uff.br Uma rádio
diferente como você . RÁDIO POP GOIABA UFF 20 anos de resistência, enfrentando
Policia Federal, Anatel, multas, mas ainda assim seguimos firmes abrindo espaço
para vanguarda da cultura e do pensamento progressista.. Uma boa semana pra
todo mundo, com muita Diversão e Diversidade !
BAIXE O NOSSO APLICATIVO
IOS - https://apps.apple.com/.../r%C3%A1dio-pop.../id1580800786
ou para ANDROID https://play.google.com/store/apps/details?id=com.maxcast.radiopopgoiaba&fbclid=IwAR2YrwnRRWmKJDIhbwTIb7fAmxhvOiSbqGX6K57H_Ih2KqJBsg_nFeEPedo
O Poeta
Enquanto Coisa
SINOPSE: Depois das excitadas e excitantes Juras secretas, de 2018, o
poeta e artista multimídia Artur Gomes volta a tornar pública sua jura de amor
e fidelidade ao arcaico deus Dionísio em “O poeta enquanto coisa” [...]
Comparece ao ethos deste livro a mesma embriaguez fulinaímica de sempre: a que
toma, mediante o delírio atento frente aos passos obtusos do ser e estar das
gentes, cada palavra como taça, vinho tinto e uma tinta capaz de, em
contrapartida, rogar lúcida a passagem dilacerada do humano pelas páginas
turvas do mundo. [...] Seus versos são rascunhos, rasuras e ranhuras a passar a
limpo os nexos e os nervos de sua fatura formal e estilística, deixando sobre a
página tanto um rastro de unha quanto o esmalte dos escritos e vozes que em sua
alma avultam e nos dedos instauram cutículas. [...] Não apenas o corpo do
homem, da mulher, se sensualiza e se sexualiza sob a força cósmica de Eros.
[...] Nessa porosidade, o poeta se entende permeável a coisas e pessoas (a
pessoas já misturadas às coisas, a pessoas já coisas) [...] Também por isso,
por essa poesia de tamanho contato, fricção, a relação com a língua se confirma
erotizada e – vale dizer – tanto a língua física quanto a verbal, o que
equivale a dizer que escrita e oralidade se reencontram no poeta: a
sofisticação da escritura literária não perde (pelo contrário, potencializa) a
dimensão primigênia do poeta como cantor, como ator “na divina língua de Baco”.
[...] Artur Gomes ouve o canto da sereia em sua cama, livro, divã, [...] se
obstina pela ideia de confissão, mas de uma confissão dionisíaca [...]
preferindo um louvor a Dionísio a um Deus que não sabe dançar, que não sabe
gozar, na liturgia de uma poesia que roga.
Trechos do prefácio de Igor Fagundes
www.secretasjuras.blogspot.com
Macumbança
palavra que dança
no branco do papel na sala
quem sabe escreve
quem dança fala
e o menino vai dançando
com seus rio de letras
no universo dos Orixás
as entidades sagradas
da escritura profana
que amanhece em cada um
Com clic da minha fotógrafa Alice Melo Monteiro Gomes eu Artur Gomes, O
Poeta Enquanto Coisa, aqui maravilhado com a Macumbança do meu mestre Igor
Fagundes
“Tranca-Rua é o caminho no meio da pedra quando
o poeta enxerga a pedra no meio do caminho”
Igor
Fagundes –
em Macumbança
Editora Penalux 2020
ARTUR GOMES.
Entrevista de Jiddu Saldanha.
Traducción: Leo Lobos.
Artur Gomes es un poeta que se mueve a la
velocidad de su erotismo, un libertario, con una sed poética– antropófaga.
Dueño de un estilo único y con talento extremo para decir sus poemas en público
el viene coleccionando fans por el Brasil y el exterior. Influenciando
multitudes de jóvenes poetas en Río de Janeiro y contribuyendo fuertemente
para la cultura del país.
- Leyendo tus poemas me encontré con una cuestión
semejante a Hilda Hilst. No escribes una poesía “fácil”, entonces te pregunto:
¿Escribes para tener lectores? -
Claro que escribo para tener lectores, como Hilda
Hilst también quería tenerlos. La dificultad, creo, está en la cuestión de los
lenguajes poéticos. No creo que mi poesía sea difícil. Tal vez la falta de
lectura de poesía sea el factor que dificulte a la mayoría de los lectores
captar en su esencia el mensaje del poeta.
– Para muchos poetas posees una óptima forma de
decir poemas, de las mejores que ya se vio por ahí. ¿Hablar poemas es también
un oficio?
– Hablar poesía, es un ejercicio que practico
cotidianamente desde el instante en que me descubrí poeta. Si ser poeta es un
oficio, hablar poemas, para mí también lo es. Se que con esta comunicación
directa, el poema se torna más accesible al otro, que deja de ser lector para
ser oyente. El sentido auditivo le permite una emoción que la lectura
silenciosa no proporciona.
– Tengo curiosidad en saber, el Artur Gomes que
escribe los poemas es el mismo que los habla. ¿Existen “auras” diferentes en
cada momento de tu actividad artística?
– El acto de la creación, es un instante solitario,
en que el poeta se encuentra con los conflictos inherentes a todo ser humano,
es cuando está en comunión consigo, y al mismo tiempo en comunión con todos. En
este instante no existe mucho en que pensar, a no ser, dejar al imaginario
fluir y a la escritura brotar en el papel, o en la tela del computador. Ahora
el acto de hablar el poema requiere otras prácticas. En mi caso tiendo a no
teatralizar el texto, y si dotar el habla de una sonoridad compatible con el
drama o el humor pertinente que está contenido en la palabra escrita. En este
momento el poeta deja de ser poeta, para tornarse actor.
– Además de poeta eres también un
gestor/productor, haciendo puente para otros artistas y ayudando a eventos de
gran importancia nacional como la “Bienal de Campos”, o “Festival de Campos –
Poesía Hablada”, o el “Concurso de cuentos José Cândido de Carvalho”. ¿ Queda
tiempo para tirar maní a los monos?
– Tú me haces recordar una bella canción de Carlos
Careqa, “No de maní a los monos”, presente en su disco “Los hombres son todos
iguales”. Todas estas actividades son realizadas con un intenso placer, si
así no fuese no valdría la pena. Lo que más importa en este caso es la
posibilidad de colocar la poesía en primer lugar, lo que para mi es una tarea
diaria. Los monos que esperen por el maní… (risas).
– ¿“Fulinaíma” y “Sagarana” son conceptos inspirados
en Guimarães Rosa y Mário de Andrade? ¿O es una especie de diálogo filosófico‐poético con la
juventud brasilera tan carente de contacto con artistas viscerales?
– Por instinto natural, siempre me gusto jugar con
las palabras, re‐inventar unas y otras, no es simplemente hacer
una relectura. Pero si, intentar crear a través de ellas algunas otras. Tengo la certeza que
los contactos con la música y el teatro contribuirán decididamente para desarrollar
todavía más esa práctica.
Tanto Fulinaíma como Sagarana son frutos que crecieron de proyectos desarrollados
con el objetivo de una re‐creación volcada para esos pilares de la cultura
brasilera contemporánea. La creación de Fulinaíma se la debo a mi cercano
colaborador el músico Naiman. Ella nace cuando todavía estaba en escena en São
Paulo con el proyecto “Retazos Inmortales de Serafim”, a pesar que su foco está
centrado en Oswald de Andrade, es con la mezcla macunaímica de Mário de Andrade
que pensamos adobar nuestra comida. En tanto Sagarana, nace con la creación
del poema Saragaranagens, que es un pedido de bendición al maestro Guimarães
Rosa.
– Antes de destacarse como un maestro de la palabra
ya eras conocido como artista visual. Háblanos un poco de tu trabajo en esta
área.
– En 1983, aún en Campos, cree el proyecto Muestra
Visual de Poesía Brasilera, que es una “exposición gráfico visual” con los
lenguajes experimentales que pudimos conocer a partir del modernismo. A partir
de ahí comencé a estrechar contacto con grandes poetas del país y del exterior
que ya hace algún tiempo trabajaban con poesía visual y otros lenguajes
experimentales donde la visualidad estaba presente. Este proyecto tubo varios
desdoblamientos y a cada exposición de acuerdo con el objetivo que intentábamos
alcanzar definía las características de la poesía que íbamos a exponer.
Considero este trabajo bien singular en mi producción poética. Aunque es con la
palabra escrita con la que procuro colocar mi condición de poeta en este mundo.
- ¿A quién lees?
– En poesía leo una infinidad de poetas conocidos
o no, por cuenta del “Festival de Campos de Poesía Hablada”, y a nuestros
maestros Drummond, João Cabral, Oswald y Mário de Andrade, Paulo Leminski,
Mário Faustino, Torquato Neto, Murilo Mendes, Baudelaire, Augusto y Haroldo de
Campos, Mallarmé, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Manoel de Barros, Ferreira
Gullar, Hilda Hilst y Ana Cristina César. Acabe de leer el libro Plano de
Vuelo, de Ademir Antonio Bacca.
- ¿A quién consideras hoy el primer equipo de la
poesía en el Brasil?
– Es muy difícil definir ese primer equipo. Aunque
tenemos también de una forma subterránea, una decena de grandes poetas en
plena productividad como Tanussi Cardoso, Marcus Vinicius Quiroga, Helena
Ortiz, Antônio Cícero, Aclyse de Mattos, Aricy Curvello, Dalila Teles Veras,
Ademir Assunção, Fabiano Calixto, Diana de Hollanda, Zhô Bertholini, Lau
Siqueira, y por ahí sigue… Es una producción aún restringida a una ciudad o a
una región de cada uno de esos poetas, pero de gran calidad.
– ¿Quién es Artur Gomes por Artur Gomes?
– Un ser, social, erótico, religioso, sagarânico y
fulinaímico, preocupado con las cuestiones humanas de los seres que habitan
este convulsionado planeta.
ALGUNA POESÍA
no. no bastaría la poesía de tranvía
que desbarranca luna en mis pestañas
en un trapecio de pendientes donde la solapa
cargada de asaltantes en sus arcos
hiriendo la fría noche como un golpe
que va haciendoel amor entre las líneas.
no. no bastaría la poesía cristalina
para las niñas que están rasgándo
se el cuerpo intentando lasuerte
en cada puerta del metro.
y nosotros poetas desvendando palabritas
vamos danzando en el vértigo de este circovolador.
no. no bastaría toda risa por las plazas
ni el amor que las palomas tejen por los trigales
los pájaros despedazándose en los ventanales
y las mujeres cuidando a sus críos.
no bastaría delirar Copacabanay
esta cosa de sal que no me engaña
la luna en la carne cortando una seducción gay
y un olor de fémina en el aire devorador
aparentando realismo hipermoderno,
en un cuerpo de ángel que no fue mi dios quien hizo
ese gusto de cosa del infierno
como probar el amor al aire libre
en una cósmica y profana poesía
entre las piedras y el mar de Arpoador
una mixtura de hechizo y fantasía
en altas olas de misterios que son nuestros
no. no bastaría toda poesía
que yo traigo en mi alma un tanto puerca,
esta postal con una imagen parecida a Lorca:
un tranvía aterrizando allá en la Urca
y esta ciudad recostándose en el agua
en mis demoliciones
pues si el Cristo redentor dejase la piedra
con certeza nunca más rezaría el padrenuestro
y con certeza solo haría con mis huesos poesía.
EL BUEY MANCHADO
Levanta mi buey levanta
que es hora de viajar
despierta buey todo
buey debe luchar.
Y…allá va el buey
con sus ojos tristes
hecho madre cansada
del camino, de la vida,
cargando dolor
cabizbajo
con miedode ser el primero
en enfrentar el puñalo la horca.
Allá va el buey del arado
buey de carro
buey de carga
buey de cerca
buey de yugo
buey de cuerda
buey de prado
buey de corte.
Buey negro
buey blanco
Allá va el buey manchado…
allá va el buey
en su conciencia
triste, solitario
ojeando a los que pasan
con miedo de alzar su voz
su bufaral oído de los otros.
Allá va el buey
en su paso manso,
danza en la contra‐danza
con la certeza que la esperanza
es mucho más que aquello
que le fue predestinado.
Allá va el buey‐manchado…
allá va el buey…buey Antonio
buey Juana buey María
buey Juan.
Buey Thiago
Buey Ferreira
Buey Drummondel
Buey Bandeira,
y tantos
que conoci que sabiendo o no sabiendo
cada buey tiene su fin.
Allá va el bueycon su gesto manso
en el equilibrio manco
que me inspira y desespera…
va para el cofre,
él sabe eso.
Va al matadero
él sabe eso.
Va a la balanza
y sin ser equilibrista
ya conoce su destino.
allá va el buey‐manchado…
Y allá va el buey
por las líneas del tren
en los vagones de fierro.
Cargado
de marcas en el cuerpo
y agonía en su corazón.
Levanta mi buey levanta
que es hora de viajar
despierta buey todo
buey debe luchar…
Levanta mi buey operario
buey de martirio y de salario
buey de pala y de horario
buey de la amarra en el cuello
buey de carne, buey de hueso
servido al plato de la serpiente
buey de lama
buey de foso
buey indigesto e indigente.
levanta mi buey de fardo
buey de cerca
buey de carga
buey de yugo
buey de cuerda
buey de fuerza
buey de farsa
buey de farra
de venganza
buey de fiesta
buey de hierro
levanta mi buey destino
buey pavesa
espanta‐pájaro
buey de paño
levanta mi buey de paja
buey de circo
buey de sueño
buey salvaje
buey de plano
levanta mi buey de barra
buey de guerra
buey de berro buey de barro.
Levanta mi buey manchado
hombre payaso enmascarado
máscara de animal y desengaño
ningún hombre desalmado
se mostrará con nuestra cara
se cubrirá con nuestros paños
Levanta mi buey de plata
buey de plato
buey de llanto
buey de clavo
alambre de púas
buey de carga y de arado
buey Juan desempleado
de terno infierno y de corbata
buey sin libro
buey sin acta
buey de zafra
buey de cofre
buey de carta
buey de corte:
buey de carne herida
mugiendo de sur a norte,
buey que nace para la vida
y que engorda para la muerte.
Traducción: Leo Lobos y Cristiane Grando
http://www.santiagoinedito.cl/
Esfinge
o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele
um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
e que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele
cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz
assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos
se um dia falta coragem
a noite sobra do medo
na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente
o nome tem seus mistérios
que se esconde sob panos
o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve
o mar que vai e vem
não tem volta
o amor e a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca é a porta
onde o poema não tem fim
Artur Gomes
Pátria A(r)mada
Juras Secretas feitiçarias de Artur Gomes – por Michèle Sato Difícil iniciar um prefácio para abordar f...